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terça-feira, 6 de outubro de 2009

O vendedor de galinhas


O post de hoje é dedicado à termodinâmica. Ok, eu já tive posts mais originais... mas a vida é assim mesmo, então azar o de quem não gosta de termodinâmica (em um chute conservador, eu diria 95% dos meus leitores, porque talvez o Gabriel-corretor-ortográfico não chegue a gostar mas acho que ele também não desgosta).

Aliás foi ele que me ensionou o macete. Você desenha a figurinha ali, e saem as 4 equações fundamentais:
dF = -SdT - pdV
dU = TdS - pdV
dH = TdS + Vdp
dG = -SdT + Vdp

Os potenciais F, U, H e G são a energia livre de Helmholtz, a energia interna, a entalpia e a energia livre de Gibbs, respectivamente. S, T, V e p são entropia, temperatura, volume e pressão. Se você não sabe o que é o "d", não precisa ler adiante.

(continua quando eu voltar da aula...)

Voltando, agradeço pelo comentário do leitor politécnico familiar com a técnica, efetivamente, e eu ia dar o devido crédito, esse macete é obra do professor Antunha do departamento de Engenharia Química da Poli. Não me deixam molhar o bico...

Para você que está lendo e que não tem a menor idéia do que está acontecendo (e é assim que as pessoas passam a não gostar de termodinâmica, por causa de explicações complicadas demais ou, como é o caso aqui, simples demais), ao invés se se perguntar que diabos é uma energia livre de Helmholtz, relaxe e pense em uma questão muito menos fundamental, mas que apesar de ser muito menos fundamental, é muito mais acalentadora: Como fazer para decorar o macete?

O grande professor Antunha previu uma resposta à questão, é claro. À segunda questão, é claro. Basta percorrer as letras em sentido horário, e formar uma frase. Vamos começar no S. Eis a frase do Antunha:

"Se Formos Prudentes Umas Tantas Horas Vamos Ganhar."

Pense em poker. Ou no que você quiser. Mas o fato é que eu já fui capaz de esquecer da frase. Essa parte do "umas tantas horas" não é muito intuitiva, ninguém usa uma construção dessas desde o século retrasado. Então eu trago algumas sugestões novas. A primeira é a dos urubus transgênicos homossexuais:

"Sendo Feitos de Penas, Urubus Transgênicos Homossexuais Vôam Graciosamente."

Inspirado pelo tema de aves, criei o vendedor malandro de galinhas:

"Sem Fixar Preço, Um Tunisiano Habilidoso Vendia Galinhas."

E para finalizar, caso algum professor de cursinho esteja interessado em algo mais apelativo para apresentar a seus alunos, proponho

"Seu Filho da PUT*! Homem Vagab*!" - Note que é necessário censurar a palavra PUTA, já que depois do T vem um H... foi o melhor que pude fazer.

É isso aí decore e divirta-se! No futuro, talvez, você saberá para que serve, mas isso é de menos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Energia e meio ambiente


Esse é o nome de outra matéria que eu tenho, ontem foi a segunda aula.

A primeira aula me pareceu promissora: foi falado sobre o problema do petróleo e de outras fontes de energia fóssil e sobre o aquecimento global. A questão da escassez de urânio não foi tratada, o que eu notei, mas deixei passar, afinal era só a primeira aula e eu fiquei contente quando ele disse que não ia ter prova calculatória no final do semestre, o que é um grande passo adiante.

Hoje o passo adiante foi mais longe, com uma aula em que fizemos cálculos simples baseados em conceitos físicos simples para entender ordens de grandeza em energia e potência. O objetivo é ter uma intuição do que significam números como 1kWh, 1 joule ou 800kcal (energia alimentar de um hamburguer), a que corresponde uma barragem hidroelétrica ou uma central nuclear, etc. Perceba que esse é o tipo de conhecimento vital para um engenheiro e mesmo para um pesquisador, mesmo que seja um pesquisador de física fundamental, mas como na formação passada o foco sempre foi a matemática, dando pouca importância às aplicações numéricas, esse curso foge um pouco da parte algébrica para trabalhar a intuição.

Por outro lado a apresentação se mostrou estranhamente favorável à energia nuclear, não tocando em nenhum dos pontos delicados da tecnologia que fornece 79% da eletricidade consumida na França, e fazendo comparações esdrúxulas do tipo "1kWh equivale a 10 toneladas de água caindo de 40 metros ou, apenas, 10 mg de urânio". Não tem nada de errado em dar a informação, mas a forma como foi dito, e ainda completamente fora de contexto, somado a outros episódios, pareceu uma tentativa de lavagem cerebral a favor da política energética francesa.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Física da conversão e estocagem de energia

É o nome de uma das matérias desse semestre, a primeira aula foi hoje.

Quando escolhi essa matéria me lembrei das aulas na Poli sobre conversão eletromecânica, e eu estava esperando quem sabe mais detalhes sobre campos magnéticos e condutores elétricos interagindo em uma máquina com muito ferro e cobre e, tipicamente, que gira.

Ou seja, motores e geradores.

Não que eu não tenha visto o bastante sobre o assunto no Brasil, mas eu estimei que um tema como esse seria tratado de maneira completamente diferente na X, que é muito mais princípios de base do que engenharia em si. De certa forma eu estava certo, o assunto é tratado de maneira diferente aqui: ele não é tratado.

Então do que trata o curso, se a conversão não envolve bobinas de cobre, campos magnéticos e coisas girando? A resposta é que a questão da conversão é tratada de modo muito mais fundamental, como era de se esperar. Não é um curso de conversão eletromecânica. O objetivo é explorar meios de transformar potenciais químicos ou de temperatura ou de pressão em energia mecânica ou elétrica. De preferência elétrica. Mas enfim, o problema da conversão eletromecânica (turbinas, motores, geradores) em si é dado como resolvido e não se fala mais nisso. Aliás, a conversão de um gradiente de temperatura em energia com uma máquina térmica (ciclo de Carnot e aquela coisa toda) também é considerada uma tecnologia madura e não está no centro das atenções. As tecnologias a explorar são meios de transformar diretamente um gradiente de temperatura ou de pressão em eletricidade. No moving parts.

Eu já tinha me perguntado se isso não seria possível, mas como eu só perguntei a mim mesmo eu não conhecia a resposta. Outras pessoas já se perguntaram isso antes, como era de se esperar, e desenvolveram modelos, fizeram experiências e tiraram conclusões, não necessariamente nessa mesma ordem. E a resposta é que é possível.

Então, empolgado com a aula eu comecei a ler a apostila, que em um determinado momento dá as fórmulas de entropia para um gás perfeito e para radiação eletromagnética a volume, energia e número de partículas constante (V,U,N) e diz:

Exercício: N mols de gás perfeito estão em equilíbrio termodinâmico com radiação eletromagnética em um volume V, à partir de qual valor de N o conteúdo energético do volume V é dominado pela matéria, U_matéria=U_radiação? Ocorre o mesmo para a entropia? De que natureza são os conteúdos energéticos e entrópicos do universo, atualmente, no passado e no futuro?

Com isso vos deixo, tenham uma boa noite.

domingo, 28 de junho de 2009

Modex météo, ou "lab de meteorologia"

Acabo de terminar um relatório no qual não acredito nem em metade do que está escrito. Mas foi feito em LaTeX, tem 19 páginas, várias fórmulas com integrais e chega à conclusão que o orientador queria.

No mundo da pesquisa, o importante é agradar os superiores. Lembrem-se disso.

sábado, 27 de junho de 2009

Casanova (2)















Ae galera estou de casa nova, prédio renovado, banheiro no quarto... uhuul!
Estive uns dias sem internet, por isso a falta de notícias. Mas também porque tenho as últimas provas... informática na quarta e de física na quinta. E para ambas as matérias, como dizem, "c'est pas gagné"!

Que a sorte esteja com esse pobre politécnico ítalo-germano-belgo-franco-brasileiro, pois não quero passar um pedaço das férias estudando para "o rattrapage".

Ah, quanto ao porta-escovas de molho à bolognesa da segunda foto, não se preocupem, já troquei por um outro pote, sem rótulo. A foto foi só para ilustrar o contraste de um objeto que entrava em uma harmonia tão perfeita com meu quarto antigo quanto é grotesco e surreal no banheiro limpinho, branquinho e novinho de agora...

sábado, 13 de junho de 2009

Troisième année

Minha escolha para o terceiro ano aqui da X (que é na verdade o meu segundo ano na França) já foi feita: programa de aprofundamento "Energias do século XXI".

Recapitulando o funcionamento geral ao longo dos nabos, digo, anus, digo, anos aqui da X: Tudo começa com o prelúdio que é o tronco comum. Depois de tomar o tronco vem a sequência de curtos e longos, entrecortada pelas orais dos diversos projetos e módulos experimentais do segundo ano. Finalmente, no terceiro ano, é preciso escolher um programa de aprofundamento, para abrir, digo, fechar com nabo, digo, chave de ouro!

Falando sério agora, o que significa "programa de aprofundamento" (PA)?

Para simplificar, é um pacote de matérias. No segundo ano as matérias são bem de base, e não há tantas escolhas (como comentei em um post anterior). Já no terceiro ano as matérias oferecidas pelos 8 departamentos (BIO, CHI, ECO, INF, MAT, MAP, MEC, PHY) são muito numerosas, pois são mais específicas. Para orientar a escolha do aluno, organizaram os 15 PA's (alguns com subopções). Dentro do PA ainda existem escolhas para se fazer entre as matérias.

Também é permitido escolher matérias aleatórias de PA's diferentes, mas nesse caso os professores podem implicar e perguntar o que você quer fazer da vida para ter escolhido ao mesmo tempo "Interações fluido-estrutura", "Grupos Fundamentais na Mecânica Quântica" e "Identidade celular e biologia do sistema imunitário".

O PA que escolhi foi criado no ano passado e teve grande sucesso. Ainda não sei quantos o escolheram nesse ano, mas pelo que pergunto poraí parece que vai bombar. Acho que é uma questão do nome apelativo. Aliás não sei porquê "Energias do século 21". Qualé? Já faz 10 anos que estamos no século 21! Ia estudar as energias do século 18 decerto? Ou 22? É uma escola de engenharia, não de história ou de science-fiction! Mas ok. Vamos às matérias que escolhi:

Trimestre 1:
MEC551 - Ruptura e plasticidade
PHY555 - Energia e meio-ambiente
PHY558 - Reatores nucleares
PHY579 - Física da conversão e estocagem

Trimestre 2:
ECO564 - Economia no mercado de energia
MEC566 - Escoamentos e transferência de calor
PHY569 - Fusão
PHY586 - Tecnologia dos reatores nucleares e ciclo do combustível

Trimestre 3: estágio de pesquisa ainda a encontrar.

terça-feira, 9 de junho de 2009

domingo, 7 de junho de 2009

Still alive

Está quase fazendo um mês que não escrevo nada, o que deve ser um recorde. Não, não tenho uma boa desculpa. Vamos às novidades das últimas três semanas.

Banda. Tivemos a estréia do Julian, novo vocalista, em uma soirée no BôBar. O público conterrâneo foi ao delírio com o repertório mais brasileiro em relação ao nosso primeiro show:

Mamonas Assassinas (chopis centis e mundo animal),
Raimundos (mulher de fases),
Skank (uma partida de futebol) e
Los Piojos (tan solo),

além de Sublime (santeria) e um parabéns a você para o Mattoso que estava de aniversário. Foi o primeiro e talvez último show com essa formação, porque o Bruno (guitarrista) decidiu sair da banda. Mas vamos continuar, algum bixo deve entrar no lugar dele essa semana. Estamos nos preparando para o evento auge de nossas carreiras: no dia 21 de junho, solstício de verão, ocorre em Paris a Fête de la Musique. Bandas tocam pelas ruas de Paris, ao ar livre, não custa nada para assistir... e nós vamos tocar!

PSC. Vamos defender nosso projeto de captação de energia das ondas do mar amanhã, diante de uma banca formada por um professor, nosso tutor, um militar e um engenheiro de uma empresa de fora... e aí acabou, graças a deus.

Ela. passou a semana passada aqui em casa. A coitada teve que me aguentar trabalhando até tarde vários dias, entre projeto de computação e PSC! Mas ela também estava estudando, porque está em período de provas. Em Gent tem o período de aulas normal e o período de "provas", que é um período de por exemplo um mês sem aulas com umas três ou quatro provas aqui e ali, sendo o objetivo deixar a galera sem aulas pra ter tempo de estudar. Eles entenderam e oficializaram o fato de que as pessoas só estudam na véspera e que aprender é uma coisa que se faz em grande parte sozinho. Por outro lado, a reclamação é de que é difícil se manter motivado para estudar o mês inteiro. Pena que ela teve que ir embora sexta-feira, e perdeu o Point Gamma.

Point Gamma. A maior festa estudantil da Fraça é organisada pelos alunos da X e acontece aqui na escola já há muitos anos, é bem tradicional. Bandas legais tocam no palco ao ar livre e DJs que, me disseram, são bons (vai entender?) animam no Grand Hall; tem também bungie jumping, streap-tease, um bar latino com uma salsa rolando (mantido pelo binet Brasi.. quer dizer binet Latino) e o Bruno dando grau denovo (dica aos beberrões: se for vomitar, não coma nachos, fica ainda mais desagradável). Foi essa noite e o Bruno já acordou bem.

O que nos trás ao fim do post, porque ele já está longo e porque o Aron está me convidando para ir ver uma exposição de Jazz em Paris. Au revoir!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Ah, o PSC...

História de mais uma falha no "método" de ensino da X

Ontem foi o dia de entrega do relatório do PSC, o Projeto (S)científico Coletivo (o que explica a semana de dedicação zero ao blog). É um projeto que começou lá por agosto ou setembro. A coisa é organizada de forma a "deixar os alunos livres para escolher o que eles vão fazer e como", o que na minha opinião significa que a coisa não é organizada at all. A idéia por trás é confrontar os alunos com o "trabalho em grupo", que é uma idéia válida, principalmente aqui na X. Vou explicar o porque do principalmente aqui na X antes de voltar ao ponto de que apesar da boa intenção esse projeto não passa de mais uma tentativa frustrada de ensinar alguma coisa nessa escola.

Os franceses que entram em uma Grand École (como a X) vieram de dois (ou três) anos que se chamam Classes Preparatórias, ou prépa, onde eles fazem basicamente SÓ matemática e física. Pra quem conhece a Poli-USP, seria o equivalente do biênio, só que com a diferença de que no prépa eles estão estudando para o que seria o "vestibular" (um vestibular em que só cai matemática e física), então eles sabem aquela matéria de cor e fazem as contas em velocidade recorde, isso tudo com o formalismo francês. Ou seja, em matemática e física eles são muito bons (ainda que às vezes falte um pouco de intuição física, dado o método formalista e a decoreba visando concurso, mas não vamos tirar o mérito de que em geral eles realmente são bons). O sentimento normalmente é de que o prépa é um inferno (de tanto que tem que estudar), mas vale a pena se você entrar numa X da vida (por causa do prestígio).

No caso da X, depois do prépa tem um ano de estágio militar (os estrangeiros pulam essa parte) em que o cara faz um trabalho meio de secretário só que no exército, deve ser horrível, mas enfim, o cara se conforma e tem uns que até gostam; em seguida ele vem parar aqui na escola. Nessa altura normalmente o cara nunca trabalhou em grupo, ou se trabalhou foi quando tinha lá seus 14 anos, o que pode até ser uma experiência válida mas não é a mesma coisa.

Trabalhar em grupo é difícil, estimo que metade dos meus leitores deve saber disso. É aquela história do lendário homem-hora... É normal que a escola queira ensinar essa importante lição aos seus alunos, então o que ela faz? Basicamente o diálogo se passa assim:

Escola - "Juntem 5 a 7 pessoas e façam um projeto em grupo. Vocês têm 7 meses."
Alunos - "Mas que projeto?"
Escola - "Qualquer um. Escolham o que quiserem."
Alunos - "E vai ter, tipo, um professor pra ajudar?"
Escola - "Sim. Vocês são obrigados a ter um tutor. Mas vocês que têm que encontrar um professor que queira. Vocês têm um mês para escolher o assunto, encontrar um tutor e entregar uma ficha aqui pra mim com essas informações."

Eu fico espantado ao constatar que a escola simplesmente não vê que não tem como isso dar certo. Será que não é óbvio? Sete pessoas pra quem mal sabe trabalhar em dupla? Escolher um objeto de pesquisa pra quem sempre teve tudo mastigado, que nunca teve que procurar um livro, provavelmente nem mesmo um artigozinho? E esperar que um professor qualquer encontrado às pressas vai ter tempo e vontade de ensinar um bando de undergrads como se faz um trabalho científico e como se organizar para trabalhar em grupo?

Deu no que deu. O meu "grupo" foi um desastre, chegando ao ponto de, a três dias da entrega do relatório final (que evidentemente ainda tinha 80% a ser redigido), um cara manda um email puto com a galera que não fez nada, dizendo que tinham alterado a ordem dos capítulos que ele tinha escrito, quebrando o encadeamento lógico, o que era um absurdo, que o que o outro cara tinha feito não tinha nada a ver com o projeto, e que se quisessem ir cada um por si dali em diante por ele tudo bem, afinal tudo o que os outros fizeram não prestava e só o que ele fizera prestava. Não para poraí: Um terceiro cara, que realisou a façanha de não fazer nada durante o trabalho inteiro, manda um email em resposta para o autor do primeiro, xingando-o animalmente, completamente sem noção, acusando-o de ter passado o trabalho inteiro querendo dar ordens, de ser infantil, de ter feito um trabalho de merda e mais um pouco de xingamentos gratuitos; e-mail este que foi encaminhado ao grupo inteiro pela vítima dos xingamentos, "para garantir la bonne ambiance".

Nesse ponto eu respirei fundo e fiz toda a reflexão exposta acima. Fiquei puto com a escola. Me dei conta de que, do jeito que estava indo, o meu grupo era inexperiente demais para ser capaz de terminar o relatório. Então eu fiz o que eu deveria ter feito desde o começo: tomei as rédeas.

Não quero me gabar, eu não acho que eu seja um grande líder, ainda menos em francês. Mas nesse caso tratava-se de um grupo que não tem nem mesmo a menor noção do que é ser um grupo. Tratava-se de alunos individualistas recém chegados do prépa, que ao longo do trabalho simplesmente faziam umas coisas sozinhos que mandavam pra todo mundo ler, mas nem ao menos liam o que os outros tinham feito e mandado (tanto é que o relatório final foi entregue antes que metade do grupo tivesse lido pelo menos metade do texto).

Então, já que em uma demonstração exemplar de responsabilidade a pessoa que sabia LaTeX (para a formatação final) foi viajar no fim de semana que tinha que terminar tudo, eu peguei o fim de semana extendido (sexta foi feriado, 1° de maio) para aprender LaTeX, mandei emails para acalmar os ânimos (e para instruir a galera a ignorar o email xingativo sem-noção do babaca que não fez nada), e para delegar quem ia escrever o quê, já que mesmo que eu quisesse eu não seria capaz de escrever tudo sozinho, e de qualquer forma eu não queria mesmo. Enquanto isso eu fui fazendo a formatação e tentando colar as peças sem parecer muito um quebra-cabeças, já que cada parte foi escrita necessariamente sem saber do que tratavam as outras.

Ou seja, trabalhei igual um camelo e o que os coitados dos franceses aprenderam? Na melhor das hipóteses, que trabalhar em grupo é difícil, mas nada de soluções, nenhum método. Provavelmente vão continuar evitando o trabalho em grupo no futuro. Também não aprenderam a ler, pois salvo uma ou duas excessões (de tanto eu insistir), o reflexo deles ao ver um problema é tentar resolver sozinho, pegar um papel em branco, fazer umas hipóteses e sair calculando. Compramos um livro sobre o assunto e eu fui o único que leu, mesmo se depois de ter lido eu insisti para que alguém mais lesse, pois o livro é bom. Ah, e o tutor? Vi o cara uma vez. Acho que só de sadismo ele nos mandou ontem, dia de entrega do relatório, um "artigo sobre a energia das ondas", que ele certamente nem leu, pois era um estudo de um tipo de turbina eólica usado em um tipo particular de captador de energia das ondas que simplesmente não tinha nada a ver com o nosso projeto.

Bom, como eu disse, meu grupo foi um desastre, mas pelo que andei conversando com o pessoal de outros grupos agora que terminou, foi mais ou menos assim com todo mundo. Échec da direção de estudos (ou de quem quer que seja que inventou essa história de PSC).

O pior é que ainda não acabou: daqui um mês e meio teremos que apresentar tudo a uma banca de professores, com direito a terno e power-point. Quero só ver.

domingo, 5 de abril de 2009

PS

As contas preliminares do post anterior se mostraram equivocadas de um fator dez mil. "Apenas" quarenta minutos devem ser suficientes para manter acesa uma lâmpada por 5 segundos.

Em um assunto não relacionado, descobri um site cuja especialidade é fornecer fundos de tela cinzas de qualidade. É o Amazing Grays. Eles têm também uma seção com variantes do jogo de xadrez: o Zombie Chess e o Team Fortress 2 Chess...

E é melhor eu voltar a estudar agora!

PSC news

Minhas contas preliminares acabam de me levar a concluir que o dispositivo de captação de energia das ondas do mar que construimos realiza a proeza de fornecer uma potência inferior a 7 microwatts, em condições de mar favorável.

Para os leigos, isso significa que a máquina teria que trabalhar por dez meses ininterruptos, em um mar utópico, para gerar energia suficiente para manter uma lâmpada acesa por cinco segundos. A idéia é que ela vai enchendo um reservatório de água, e portanto se escolhermos um copo como reservatório teremos que esperar 8 horas para a máquina enchê-lo. Criamos a pior bomba d'água de que jamais se teve notícia!

Bom, mas não duvido que ainda teremos uma avaliação boa pelo projeto. Tudo é possível depois que meu grupo de projetos do segundo ano da elétrica ganhou um certificado por ter ficado "entre os 10 melhores" por um relógio digital que mostrava as horas em código braille usando LEDs que piscavam. As pessoas que viam as luzinhas piscando não podiam ver as horas porque não sabiam braille, e os cegos que sabiam braille tinham uma certa dificuldade para ver os LEDs. Mas era uma caixinha bonitinha com luzes coloridas piscando e agradou os avaliadores...

Ah, eu me divirto!

Em cima: O revolucionário captador de energia das ondas (a bóia não aparece na foto).
À direita: Lucas, Levi, Márcio e eu com o relógio braille, décimo prêmio de PSI2222 em 2006.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Armagedom

Pensamentos sombrios a respeito da X

Hoje eu descobri que a minha professora de italiano ganha 650 euros por mês para dar aula pra nós. O contrato dela acaba e no fim do ano ela (óbvio) está partindo pra outra.

Ela aproveitou a revelação para falar do departamento de línguas da X. De como eles não têm dinheiro e querem cortar gastos. Uma das idéias que estão tramitando seria de cortar as línguas na troisième année, ou seja, durante seu percurso na X você tem curso de línguas durante um ano, e acabou. Outra idéia é diminuir de 80 para 60 horas (por semestre) a carga dos cursos "fáceis" como italiano e espanhol.

Isso me fez pensar no quanto essa escola é demagoga. É uma coisa de que se desconfia logo no primeiro mês que se chega aqui, mas você acaba não dando muita bola. É a melhor escola da França, a fama é tão grande que você fica com aquela certeza de que o lugar é ótimo mesmo assim. Pouco a pouco a situação vai degradando enquanto você vai se acostumando com a precariedade.

Você chega aqui e reúnem todo mundo para o diretor (um general do exército) insistir no quanto a formação multidisciplinar é importante na X. "Vocês farão esporte! Vocês aprenderão línguas! Vocês terão uma formação humana, e propomos cursos de arte, de psicologia, de arquitetura, para a formação de vocês!"

O esporte é TÃO importante que se por qualquer motivo eles precisam de uma janela pra alguma coisa, pronto, não tem esporte. Foda-se o esporte, vai ter uma palestra sobre pesca artesanal, presença obrigatória. De uniforme, hup, hup! coloquem seus chapéis pontudos e espadinhas e venham ouvir o pescador falar!

Quando eu descobri que os franceses aqui tinham que fazer inglês, língua obrigatória a não ser que você já tenha um nível muito bom, eu achei bem interessante. Não esperava, e fiquei com a impressão de que aquela história de protetorismo idiota da língua francesa era um assunto superado, ao menos nas grandes instituições de ensino superior, e achei muito positivo.

Foi hoje que eu me dei conta de que só pode ter um motivo para os caras dizerem que vão ensinar inglês aos seus alunos franceses em míseras quatro horas por semana durante um ano. Por isso que francês fala inglês daquele jeito (é uma piada... mas enfim os caras falam mal). Como eu dizia, só pode ter um motivo...

É a imagem.

O projeto da X é melhorar sua imagem. É o objetivo. Não é um segredo, eles mesmo falam isso. Trazer alunos internacionais é únicamente um aspecto dessa política, como eles mesmos dizem quando vão lá na Poli USP falar do programa. E é assim que certos objetivos correm o risco de serem deixados de lado. O importante não é ter um ensino de línguas de qualidade... o importante é TER.

É como a lendária formação humana e militar (comentei sobre o respectivo departamento, DFHM, em um post recente). Teoricamente somos enquadrados em uma hierarquia militar. O coronel que comanda os alunos do meu ano adora enviar emails pra todo mundo, sempre com erros de francês que fazem até os estrangeiros estremecerem, em que de vez em quando ele gosta de nos relembrar que nós estamos em um enquadramento militar para nos ensinar a ter um "bom comportamento". Que na X não se dá apenas instrução mas também "educação". Que o estágio militar é pra isso. Que a X tem uma formação "completa". CARALHO, quem entra aqui tem pelo menos 18 anos, precisa de um MILITAR pra nos ensinar a ter EDUCAÇÃO!? Hã!?

Quem trata como criança está criando crianças. Aqui tudo é obrigatório (claro, pois é militar.. hmm), então a galera não vai no esporte porque gosta. Vai porque é obrigatório. Não vai no curso de psicologia porque gosta. Mas é obrigatório. Não faz italiano por que gosta... adivinha. Claro, tem exceções, tem gente que aproveita, mas é óbvio que aproveita menos, pois tem colegas menos motivados. E assim eles ainda perdem a chance de fazer alguém se interessar por esporte, por psicologia, por italiano.

A única coisa que nem precisaria ser obrigatório pra todo mundo ir são os cursos científicos (com ressalvas, mas não vou me prolongar muito), é óbvio, pois essa foi a escolha de quem está aqui. Fora isso se o cara quer fazer inglês ou jogar futebol por que não deixar escolher? E fazer uma coisa de qualidade para alunos interessados?

A X é a melhor escola da França, e o nível do ensino científico é realmente muito bom, mas enquanto essa política da imagem não vier acompanhada de uma política da qualidade, com uma proposta autêntica e o fim dessa cara-de-pau típica de militares cabeça-oca a escola não vai passar disso. A melhor da França, ponto.

quarta-feira, 25 de março de 2009

341

É Minha posição n"O Classement", que recebi por email na semana passada.

"O Classement" é uma classificação dos alunos que leva em conta seus "resultados acadêmicos" na X. Assim, o primeiro d'O Classement é o aluno com a média global mais alta, que aliás, torna-se o porta-bandeira das cerimônias militares da escola... eu diria que é o preço que se paga para compensar a glória de ser o primeiro da primeira escola do país!

Mas de uma forma menos fútil, O Classement serve para selecionar os alunos que vão poder integrar o "Corps", ou seja, vão para umas escolas fudidas para depois trabalhar em cargos importantes do estado francês por salários astronômicos. Essa possibilidade é aberta apenas aos franceses e para cidadãos da UE, me parece.

Mas apesar de ser cidadão italiano toda essa história de trabalhar para o governo francês não me interessa... de toda forma é coisa para os primeiros da lista, e eu sou o trezentésimo quadragésimo primeiro de 401 alunos.

Se a turma tivesse 10, eu seria o penúltimo. \o/

segunda-feira, 23 de março de 2009

Marapanta II


No último domingo aconteceu a sensacional corrida que mesmo estando apenas em sua segunda edição já é uma tradição dos brasileiros na X: a Maratoma, ou "Marapanta".O nome Marapanta é uma homenagem a um tal de Panta, um X2004 ou 2005 (meus leitores veteranos me corrigirão...) que até onde eu sei foi o patrocinador principal da edição do ano passado. Só que ele já estava nos Estados Unidos quando eu e o pessoal do meu ano chegamos na França, então quase ninguém conhece o Panta. Isso significa que em pouco tempo o cara se transformará em uma lenda e histórias divergentes contarão as origens do nome da competição.

Quanto à prova em si, trata-se de correr e beber, não necessariamente nessa mesma ordem. Só os bixos (que querem) participam. Os demais apostam em seus bixos por um sistema online (o MaraToma Apostator) através do qual perdi 10 euros este ano, e depois rola um churrasco.

O prêmio do ano passado foi a coleção de copos do Fou (X05) que eu levei, e será passada ao vencedor da terceira edição, no ano que vem, antes de eu voltar para o Brasil (assim os copos ficam com os Jônes, ou seja, as "gerações ímpares"). Esse ano uma coleção fake foi feita com copos de requeijão e vidros de molho à bolognesa para espaguete, como consolação, mas o prêmio de verdade foi a maleta de Poker do Recife. E o vencedor foi o Natal, do ITA. Foi muito acirrado e principalmente... muito divertido!

Com vocês o vídeo do ano passado e uma foto da coleção fake desse ano...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Projeto (S)científico Coletivo

Um pensamento sobre a utilidade do PSC... na verdade ele serve para saber quem não contratar na eventualidade de você se encontrar na posição de ser o cara que escolhe quem vai integrar a equipe de um projeto.

Por esse lado tive sorte com meu grupo; já seriam 6 candidatos a menos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Notas de prova

A estratégia para passar
E como ela não funciona na França

Minhas provas que fecham o semestre serão na segunda metade de janeiro, e tendo em vista minha dificuldade em mecânica e a nota da primeira prova, que já saiu, achei que seria o momento de traçar minha estratégia para passar (ou validar, como se diz aqui).

Para isso, recorri instintivamente ao algorítmo padrão: pegar a folha que me entregaram no primeiro dia de aula e que guardei únicamente para este momento, encontrar a fórmula que dá a média final, substituir as letras pelos valores conhecidos e isolar a última prova do lado esquerdo da equação.

Sabendo qual a nota que é preciso tirar, o nível do desespero regulará quase que automaticamente o dos estudos, mas mesmo estratégias mais elaboradas são possíveis. Por exemplo, dá para deixar um tópico de lado para garantir a nota em outro, caso a situação permita entregar a prova sem responder aquela questão sobre PPV que, sabe-se, cai todo ano.

Mas não.

Aqui a fórmula é a seguinte: NOTA = máx[ P2, (P1+P2)/2 ] + PC
Onde P1 e P2 são as provas, valendo 20 cada, e PC é uma nota até 7 dada pelo professor de petite classe, baseada no que ele achar melhor. Como a nota de PC é aleatória, poderia ser difícil estimar o objetivo para a P2, mas na verdade não é difícil. É impossível.

Isso porque a fórmula é absolutamente inútil. Em baixo dela está escrito "A nota numérica assim obtida será então convertida em uma apreciação literal". Ou seja, vai virar algo entre A e E, onde é preciso ter A, B ou C para passar.

A correspondência nota literal<->nota numérica é estabelecida ano a ano, de acordo com o sentimento dos professores diante dos histogramas de notas dos alunos. Por alguma razão matematicamente inaceitável esse procedimento é chamado aqui de gaussianização.

Como resultado, aqui não há estratégia para passar. Não adianta. Você tem que estudar, aprender e ter fé no sistema, que segundo a lenda passará aqueles que tiverem aprendido.

Sendo brasileiro isso me pareceu um enorme absurdo e tenho impressão que se decidissem fazer assim no Brasil haveria uma revolta estudantil de proporções que não vemos há 20 anos.

Por outro lado, não seria ainda mais absurda a estratégia de pular um capítulo e ir pra prova sabendo que se vai deliberadamente deixar a questão correspondente em branco? Acredito que muitas vezes dizer "a média é 5" acaba levando o cara a estudar só a 50%. Ou 60% vai, pra garantir.

Mas enquanto não volto para o Brasil o jeito é anotar as fórmulas do curso em vez de fazer recurso às fórmulas da nota...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

La Kès


Uma coisa que eu achei bem diferente aqui na X com relação à Poil é a Kès. A Kès é como se fosse o grêmio, a entidade que representa os alunos. O nome é mais uma dessas palavras do jargão da X, que se for falada lá fora ninguém vai conhecer, ou seja, não é bom francês (existe até mesmo um "Dicionário do Jargão da X", à venda na fnac.com por €14,25, mas isso é outra história).

Em todo caso, o nome derivou de caisse, a caixinha dos alunos, pois inicialmente (data de1804) existia para ajudar os alunos em dificuldade com dinheiro recolhido de todos os alunos, através da "cotização". Até hoje todos os alunos pagam 40 euros mensais para a Kès, e uma parte desse dinheiro ajuda a pagar (inclusive) as bolsas dos alunos estrangeiros. Pagar 40 euros para o "grêmio" todo mês pode parecer um absurdo, mas lembre-se que aqui todos ganham para estudar, seja pela bolsa (estrangeiros) ou pelo soldo (pois é uma escola militar). Além disso se você não pode pagar não há problema, basta conversar com os kèssiers (alunos da gestão da kès). Aparentemente é possível fazer um empréstimo de até 500 euros por um ano, sem juros, sem dar qualquer explicação formal.

Mas é claro que esse dinheiro sobra. Sobraria. Ele é usado para financiar os binets (de que falei um pouco no final de um post de abril) e realizar diversas atividades dos alunos.

Mas o que realmente é diferente é a campanha para as eleições. A foto mostra o grand hall, que é normalmente vazio, com os stands das 3 listas candidatas deste ano: Keszino, L'Auberge Kespagnole e KroKesdile (desde 1977 as listas kès são um jogo com a palavra kès). Na luta por votos os aspirantes a kèssier buscam patrocínios de empresas para bancar uma campanha excepcional durante uma semana: nintendo wii, comida de graça, camas elásticas, café da manhã levado no quarto, hidromassagem, bungee jump, intervenções engraçadas durante as aulas, soirées open bar...

Pena que a campanha acabou na sexta passada. A votação foi hoje, e o resultado foi apertadíssimo! O segundo turno será na quarta-feira, depois do debate de amanhã entre as duas listas que tiveram mais votos. Com a respectiva quantidade de votos, the winners are...

La Krokesdile et l'Auberge Kespagnole

Krokesdile : 148
Auberge Kespagnole : 184
Keszino : 139

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

QDJ


Não há como fugir: É uma escola de nerds. Muitos gostam de se enganar e dizer que não são nerds, que fazem coisas legais, esporte, música, que na verdade não gostam de estudar e não entendem o que os trouxe a uma escola com tanta matemática (bléh, matemática!) ... mas nada pode mudar os fatos, e aqui a nerdice é um fato.

É por isso que no site da escola (na verdade, o site dos alunos da escola, chamado Frankiz), no canto direito se encontra uma coisa que eu vou chamar de um jogo, por falta de palavra melhor. Nem procure, só é acessível após se identificar como aluno.

Trata-se da Pergunta Do Dia (QDJ em francês). A cada dia tem uma perguntinha cretina e duas possibilidades de resposta. É quase sempre de um jogo de palavras, de qualidade variável. Aí você clica em uma das respostas (a vermelha ou a amarela) e vê como está o resultado.

Ok, e onde está o "jogo"?

Acontece que é possível ganhar pontos ao votar, dependendo da posição em que você vota. Hoje por exemplo votei em duzentésimo sexto, e não ganhei nenhum ponto. As regras são:

  • Votar em primeiro vale 5, segundo 2 e em terceiro 1 ponto (a qdj sai exatamente à meia-noite);
  • votar em 42 vale 4,2 pontos; em 69 vale 6,9 pontos e em 314 vale 3,14 pontos; (podia ser mais nerd!?)
  • votar na posição igual aos últimos 3 dígitos do seu IP vale 3 pontos; (por exemplo, o meu é 173)
  • votar em décimo terceiro vale menos 13 pontos;
  • uma regra bônus misteriosa vale 7 pontos;
  • propor uma boa qdj, que seja aprovada, vale 7,1 pontos no dia em que ela passa;
E aí, é claro, existe uma classificação QDJ, que mostra com gráficos de barras quantos pontos cada um ganhou com qual regra, por períodos de 2 meses. Não, não há nenhum prêmio. Mas vocês podem imaginar, caros leitores, que isso não há qualquer importância. Um nerd que se preze necessariamente preza pela sua posição na classificação QDJ, é assim e ponto. Se você não entende, é porque você não é suficientemente nerd.

Finalizo dizendo que minha posição atual é um quadrado perfeito e que estou no top 10, mas não no top 5.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Bresiliani Parlano Francese

A iniciativa aqui na seção atletismo, no meio de uma conversa com o Bruno, o outro brasileiro
neste glorioso esporte. Descontentes com a modesta inclinação de nossa curva de aprendizado
do idioma francês e limitada fluidez ao se comunicar nesta língua, passamos a nos comunicar
em francês, assim, no meio da conversa.

Decidi batisar o projeto em italiano: Bresiliani Parlano Francese. Mas por algum motivo, ainda
obscuro, o nome não pegou. Azar. Vou continuar chamando assim.

É um projeto ambicioso, mas já temos alguns outros adeptos.

Fazendo a comparação com o tempo que eu fiquei na Bélgica (onde aprendi holandês do zero),
lá eu não tinha com quem falar português (salvo raras exceções), e fiz um grande esforço para
usar inglês o mínimo possível, no começo. Era bastante frustrante não conseguir me expressar
descentemente mesmo após três ou quatro meses de imersão total e estudo intensivo, mas eu
persisti (não que eu tivesse muita escolha). E o ponto em que eu quero chegar é que, se eu me
lembro bem, após uns 6 meses eu já experimentava uma leve dificuldade quando precisava
falar português!!! (ao telefone por exemplo)

Aqui somos uns 30 brasileiros (só do meu ano somos 17), e posso afirmar que a parte
"português" do meu cérebro está atualmente mais ativa do que a parte "francês". Mas
com meros dois dias de Bresiliani Parlano Francese, mesmo com um número restrito de
participantes, eu diria que já senti uma leve mudança de atividade cerebral.

domingo, 5 de outubro de 2008

Remise de Tangentes


É galera, nessa quarta foi a entrega das espadas.

O bozo do presidente da cerimônia (que é um aluno da promo anterior na verdade) diz no final "Agora é o momento da tradicional janta na tangente, em que os padrinhos darão de comer aos seus afiliados pela ponta de suas espadas".

Pra quem lê francês:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Tangente_(%C3%A9p%C3%A9e)