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terça-feira, 5 de maio de 2009

Ah, o PSC...

História de mais uma falha no "método" de ensino da X

Ontem foi o dia de entrega do relatório do PSC, o Projeto (S)científico Coletivo (o que explica a semana de dedicação zero ao blog). É um projeto que começou lá por agosto ou setembro. A coisa é organizada de forma a "deixar os alunos livres para escolher o que eles vão fazer e como", o que na minha opinião significa que a coisa não é organizada at all. A idéia por trás é confrontar os alunos com o "trabalho em grupo", que é uma idéia válida, principalmente aqui na X. Vou explicar o porque do principalmente aqui na X antes de voltar ao ponto de que apesar da boa intenção esse projeto não passa de mais uma tentativa frustrada de ensinar alguma coisa nessa escola.

Os franceses que entram em uma Grand École (como a X) vieram de dois (ou três) anos que se chamam Classes Preparatórias, ou prépa, onde eles fazem basicamente SÓ matemática e física. Pra quem conhece a Poli-USP, seria o equivalente do biênio, só que com a diferença de que no prépa eles estão estudando para o que seria o "vestibular" (um vestibular em que só cai matemática e física), então eles sabem aquela matéria de cor e fazem as contas em velocidade recorde, isso tudo com o formalismo francês. Ou seja, em matemática e física eles são muito bons (ainda que às vezes falte um pouco de intuição física, dado o método formalista e a decoreba visando concurso, mas não vamos tirar o mérito de que em geral eles realmente são bons). O sentimento normalmente é de que o prépa é um inferno (de tanto que tem que estudar), mas vale a pena se você entrar numa X da vida (por causa do prestígio).

No caso da X, depois do prépa tem um ano de estágio militar (os estrangeiros pulam essa parte) em que o cara faz um trabalho meio de secretário só que no exército, deve ser horrível, mas enfim, o cara se conforma e tem uns que até gostam; em seguida ele vem parar aqui na escola. Nessa altura normalmente o cara nunca trabalhou em grupo, ou se trabalhou foi quando tinha lá seus 14 anos, o que pode até ser uma experiência válida mas não é a mesma coisa.

Trabalhar em grupo é difícil, estimo que metade dos meus leitores deve saber disso. É aquela história do lendário homem-hora... É normal que a escola queira ensinar essa importante lição aos seus alunos, então o que ela faz? Basicamente o diálogo se passa assim:

Escola - "Juntem 5 a 7 pessoas e façam um projeto em grupo. Vocês têm 7 meses."
Alunos - "Mas que projeto?"
Escola - "Qualquer um. Escolham o que quiserem."
Alunos - "E vai ter, tipo, um professor pra ajudar?"
Escola - "Sim. Vocês são obrigados a ter um tutor. Mas vocês que têm que encontrar um professor que queira. Vocês têm um mês para escolher o assunto, encontrar um tutor e entregar uma ficha aqui pra mim com essas informações."

Eu fico espantado ao constatar que a escola simplesmente não vê que não tem como isso dar certo. Será que não é óbvio? Sete pessoas pra quem mal sabe trabalhar em dupla? Escolher um objeto de pesquisa pra quem sempre teve tudo mastigado, que nunca teve que procurar um livro, provavelmente nem mesmo um artigozinho? E esperar que um professor qualquer encontrado às pressas vai ter tempo e vontade de ensinar um bando de undergrads como se faz um trabalho científico e como se organizar para trabalhar em grupo?

Deu no que deu. O meu "grupo" foi um desastre, chegando ao ponto de, a três dias da entrega do relatório final (que evidentemente ainda tinha 80% a ser redigido), um cara manda um email puto com a galera que não fez nada, dizendo que tinham alterado a ordem dos capítulos que ele tinha escrito, quebrando o encadeamento lógico, o que era um absurdo, que o que o outro cara tinha feito não tinha nada a ver com o projeto, e que se quisessem ir cada um por si dali em diante por ele tudo bem, afinal tudo o que os outros fizeram não prestava e só o que ele fizera prestava. Não para poraí: Um terceiro cara, que realisou a façanha de não fazer nada durante o trabalho inteiro, manda um email em resposta para o autor do primeiro, xingando-o animalmente, completamente sem noção, acusando-o de ter passado o trabalho inteiro querendo dar ordens, de ser infantil, de ter feito um trabalho de merda e mais um pouco de xingamentos gratuitos; e-mail este que foi encaminhado ao grupo inteiro pela vítima dos xingamentos, "para garantir la bonne ambiance".

Nesse ponto eu respirei fundo e fiz toda a reflexão exposta acima. Fiquei puto com a escola. Me dei conta de que, do jeito que estava indo, o meu grupo era inexperiente demais para ser capaz de terminar o relatório. Então eu fiz o que eu deveria ter feito desde o começo: tomei as rédeas.

Não quero me gabar, eu não acho que eu seja um grande líder, ainda menos em francês. Mas nesse caso tratava-se de um grupo que não tem nem mesmo a menor noção do que é ser um grupo. Tratava-se de alunos individualistas recém chegados do prépa, que ao longo do trabalho simplesmente faziam umas coisas sozinhos que mandavam pra todo mundo ler, mas nem ao menos liam o que os outros tinham feito e mandado (tanto é que o relatório final foi entregue antes que metade do grupo tivesse lido pelo menos metade do texto).

Então, já que em uma demonstração exemplar de responsabilidade a pessoa que sabia LaTeX (para a formatação final) foi viajar no fim de semana que tinha que terminar tudo, eu peguei o fim de semana extendido (sexta foi feriado, 1° de maio) para aprender LaTeX, mandei emails para acalmar os ânimos (e para instruir a galera a ignorar o email xingativo sem-noção do babaca que não fez nada), e para delegar quem ia escrever o quê, já que mesmo que eu quisesse eu não seria capaz de escrever tudo sozinho, e de qualquer forma eu não queria mesmo. Enquanto isso eu fui fazendo a formatação e tentando colar as peças sem parecer muito um quebra-cabeças, já que cada parte foi escrita necessariamente sem saber do que tratavam as outras.

Ou seja, trabalhei igual um camelo e o que os coitados dos franceses aprenderam? Na melhor das hipóteses, que trabalhar em grupo é difícil, mas nada de soluções, nenhum método. Provavelmente vão continuar evitando o trabalho em grupo no futuro. Também não aprenderam a ler, pois salvo uma ou duas excessões (de tanto eu insistir), o reflexo deles ao ver um problema é tentar resolver sozinho, pegar um papel em branco, fazer umas hipóteses e sair calculando. Compramos um livro sobre o assunto e eu fui o único que leu, mesmo se depois de ter lido eu insisti para que alguém mais lesse, pois o livro é bom. Ah, e o tutor? Vi o cara uma vez. Acho que só de sadismo ele nos mandou ontem, dia de entrega do relatório, um "artigo sobre a energia das ondas", que ele certamente nem leu, pois era um estudo de um tipo de turbina eólica usado em um tipo particular de captador de energia das ondas que simplesmente não tinha nada a ver com o nosso projeto.

Bom, como eu disse, meu grupo foi um desastre, mas pelo que andei conversando com o pessoal de outros grupos agora que terminou, foi mais ou menos assim com todo mundo. Échec da direção de estudos (ou de quem quer que seja que inventou essa história de PSC).

O pior é que ainda não acabou: daqui um mês e meio teremos que apresentar tudo a uma banca de professores, com direito a terno e power-point. Quero só ver.

domingo, 5 de abril de 2009

PSC news

Minhas contas preliminares acabam de me levar a concluir que o dispositivo de captação de energia das ondas do mar que construimos realiza a proeza de fornecer uma potência inferior a 7 microwatts, em condições de mar favorável.

Para os leigos, isso significa que a máquina teria que trabalhar por dez meses ininterruptos, em um mar utópico, para gerar energia suficiente para manter uma lâmpada acesa por cinco segundos. A idéia é que ela vai enchendo um reservatório de água, e portanto se escolhermos um copo como reservatório teremos que esperar 8 horas para a máquina enchê-lo. Criamos a pior bomba d'água de que jamais se teve notícia!

Bom, mas não duvido que ainda teremos uma avaliação boa pelo projeto. Tudo é possível depois que meu grupo de projetos do segundo ano da elétrica ganhou um certificado por ter ficado "entre os 10 melhores" por um relógio digital que mostrava as horas em código braille usando LEDs que piscavam. As pessoas que viam as luzinhas piscando não podiam ver as horas porque não sabiam braille, e os cegos que sabiam braille tinham uma certa dificuldade para ver os LEDs. Mas era uma caixinha bonitinha com luzes coloridas piscando e agradou os avaliadores...

Ah, eu me divirto!

Em cima: O revolucionário captador de energia das ondas (a bóia não aparece na foto).
À direita: Lucas, Levi, Márcio e eu com o relógio braille, décimo prêmio de PSI2222 em 2006.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Projeto (S)científico Coletivo

Um pensamento sobre a utilidade do PSC... na verdade ele serve para saber quem não contratar na eventualidade de você se encontrar na posição de ser o cara que escolhe quem vai integrar a equipe de um projeto.

Por esse lado tive sorte com meu grupo; já seriam 6 candidatos a menos.