Talvez seja só impressão, já que minhas origens italianas poderiam gerar um viés na minha percepção, mas eu me sinto mais em casa aqui na Itália do que na França, apesar de ter amigos franceses da minha idade e de falar francês melhor do que italiano.
Para exercitar minha capacidade de reconhecer diferenças culturais de forma objetiva, tentei elencar alguns elementos que diferenciam italianos de franceses e colocam os italianos mais próximos dos brasileiros.
* Valor dado ao carro: Na França tem muito carro batido, sujo por fora e por dentro, pequenos e econômicos. Já no país da Ferrari dá-se mais importância à "macchina" que a pessoa tem.
* Comida: A cozinha italiana é muito mais familiar para mim do que a francesa. Para começar, na Itália a pizza tem mozzarella, e na França eles colocam emmental (eu acho). Aliás, a pizza na França é horrível, ainda que possa competir com certas pizzarias a 10 reais do Butantã. Na Itália não se come macarrão sem molho (aberração francesa) e eu até encontrei feijão marrom já cozido em lata, só esquentar! Estou comendo mais parecido com como é no Brasil e, diga-se de passagem, muito melhor.
* Palavrões: Não sei se é uma característica da língua portuguesa ou do Brasil mesmo, mas somos bastante inventivos para palavrões e os usamos muito. Em francês você tem basicamente duas opções: "putain" e "merde". Outros palavrões são relativamente pesados, e são usados quando você realmente quer insultar alguém. Em italiano, assim como em português, não só a escolha é maior como cada palavrão admite suas variações, por exemplo o tradicional "cazzo" pode se transformar em cazzeto, cazzino, cazzone, cazzola ou até cazzerola, entre outros. Os ambientes não são comparáveis (escola/chão de fábrica), mas eu acho que em geral se usa mais palavrão aqui na Itália do que na França.
É, por enquanto não consegui colocar de forma clara mais do que esses três pontos. Que fique claro que eu não defendo uma em detrimento da outra, simplesmente a cultura italiana me é mais familiar.
Mas que a comida é melhor, é.
Amanhã tem a tirinha 7².
PS. Na foto estou montando a parte elétrica do que será uma catraca que reconhece um RFID.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Itália x França
terça-feira, 28 de julho de 2009
Trabalho
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Strip Crônicas número 48
domingo, 26 de julho de 2009
Arluno

Olha só galera, fuçando aqui no equipamento que tinha dentro de uma salinha, com modens, hubs, vários cabos e equipamentos que eu nem sei para que servem, no fim das contas tem internet aqui em casa! Fiquei duas semanas sem internet por não ter tentado, até que um cara do trabalho me deu a dica, falou que talvez tivesse internet e era pra eu tentar.
A foto é a vista daqui do apartamento para essa pracinha da vila que é Arluno. O apartamento é da empresa, 240 metros quadrados (dois andares), mas completamente vazio. Como móveis tem duas camas de solteiro, um sofá na sala, um bidê e armários. Não tem nem mesa ou cadeiras. Mas tem um frigobar e fogão elétrico, um garfo, uma faca, uma colherzinha de café, duas chícaras e uma panela.
Bem agora vou tomar um banho e amanhã eu posto uma foto do meu trabalho ou algo assim.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Recado para mamãe
Estou indo para a Itália amanhã cedo para o estágio operário que vai durar um mês. Não como vai ser o acesso à internet, então se eu não postar nada aqui por muitos dias... é normal.
segunda-feira, 9 de março de 2009
O estágio DFHM
Sempre com a incrível capacidade do Departamento de Formação Humana e Militar da escola de encontrar meios de eficácia duvidosa de "contribuir com nossa formação", durante quatro semanas do próximo verão (julho/agosto) sou obrigado a fazer um estágio.
Normal, você dirá...
Mas não é um estágio qualquer. É um estágio "de contatos humanos" (lindo nome, não?), também conhecido como estágio operário. O aluno é obrigado a ocupar uma posição chão-de-fábrica, nada de trabalho intelectual de futuro engenheiro ou coisa assim. Na verdade nem o próprio DFHM sabe direito o que eles querem que a gente faça (como admitiram em uma recente reunião com a Kès).
Mas enfim, esse estágio é talvez a idéia DFHM menos pior de todas.
Para os alunos franceses o estágio deve ser feito no exterior, então como ponto positivo para a formação há pelo menos o fato de forçar o cara a passar um tempo fora. Para nós, meros estrangeiros, é o contrário, e fazem de tudo para ficarmos na França por pelo menos metade do que seriam nossas férias. Novos critérios, claramente injustos, baseados em notas de testes de francês, determinam se eles vão ou não te deixar fazer o estágio fora.
Como o mapa ao lado não parece nem um pouco com o mapa da França você já deve ter adivinhado que eu tive sorte com esses critérios.
Se tudo correr bem, entre fim de Julho e começo de Agosto serei "operário" da Tonali, sediada no minúsculo vilarejo de Arluno, a uns 20km de Milano. Yeey! =)
sexta-feira, 6 de março de 2009
Slow Food

Aprendi na aula de italiano que existe um movimento que surgiu na Itália, em 1986, chamado Slow Food. A Itália é, de acordo com minha professora (italiana, claro), o país em que as cadeias de fast food (ou para ser mais preciso, o McDonald's) tiveram mais dificuldades para se estabelecer.
Entre parênteses, quando ouvi isso me lembrei imediatamente do McDonald's na Galleria Vittorio Emanuele em Milão: a Galleria tem uma forma de cruz, e no cruzamento ficam as 4 "esquinas" que são visivelmente os lugares mais nobres para as lojas. É numa dessas 4 esquinas que fica o McDonald's, em meio a Prada, Gucci, Louis Vuitton etc...
Passando por essa galeria durante minha recente viagem, meus colegas franceses ficaram chocados com a presença da cadeia americana ali naquele lugar tão especial, de arquitetura Belle Époque, e se não seria o caso de o município intervir para proibir esse absurdo de alguma forma. Eu, que há uns 10 anos comi nesse mesmo McDonald's quando visitava Milão com meu pai, fiquei bem quieto...
Mas voltando ao paradigma Slow Food, hoje a associação se expandiu pelo mundo e conta com mais de 1000 "escritórios" em 130 países, sendo 410 só na Itália. No Piemonte há até uma universidade, a Università di Scienze Gastronomiche, onde você pode por exemplo fazer um mestrado e se tornar um verdadeiro Master of Food! (Divertido não?)
Brincadeiras a parte, a coisa me parece séria e é possível que a destruição do patrimônio genético que decorre das atuais práticas de produção agroalimentar mais competitivas do mundo possa colocar em risco nosso próprio futuro. Eu não sou um especialista do assunto, mas os argumentos que ouvi até hoje me fazem crer que, no mínimo, precisamos de mais especialistas e mais explicações.
Para terminar, ouvi dizer que apesar de toda essa fobia européia ao fast food o McDonald's está se virando bem diante da crise econômica: subiu 11 pontos na bolsa. A interpretação é que com menos dinheiro as pessoas estão apelando mais para o Big (Cheap) Mac - notem que aqui, ao contrário do Brasil, o Number One custa quase metade do preço de uma refeição padrão em um restaurante qualquer.
E que aqui (ainda) não existe restaurante por quilo.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Milano

O post de hoje é uma seleção de fotos de Milão, o primeiro destino de nossa viagem.
O fim de semana prolongado foi bom, mesmo não tendo feito amizade com meus companheiros de viagem tanto quanto eu teria desejado. Talvez eu seja difícil para amizades mesmo, mas firmar amizades com motoristas que ocupam duas vagas de estacionamento com a desculpa de que "quem vê pode muito bem achar que foi o cara do lado que parou muito pra lá, e não eu que parei muito pra cá!" é simplesmente difícil pra mim.
Mas manias e veadices francesas à parte (ataque gratuito ao francês gay do grupo) comemos e bebemos muito bem, com o bônus de ter conosco o ex-presidente do "binet" Enologia, ou seja, um colega especialista em vinhos. Além disso achei os lugares visitados muito bonitos, e sob um céu igualmente magfnífico.
Como curiosidade em Milão comemos em um restaurante minúsculo e com uma atmosfera familiar, em que o chef usava um bigode estilo Mário, apesar de ser alto. Acho que estava mais para um Luigi... dado o pouco espaço chegou a nos pedir para passar um prato que precisava servir na mesa ao lado da nossa! Quando pedimos a conta o piadista nos trouxe um papelzinho com apenas uma coisa escrita e sublinhada: "€1.000,00", antes de trazer a verdadeira conta, que saiu por um preço bem razoável.

À esquerda: Monumento a da Vinci na Piazza Scala e a enorme catedral gótica de Milano (il Duomo).
À direita: Il Duomo, entrada da Galleria Vittorio Emanuele II e fortificação à beira do Lago di Garda.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Itália
Amanhã cedo estarei na Itália, com a turma de italiano forte. Estranhamente eu fui o único da turma do italiano iniciante a querer participar. (Não, não tem ironia no "estranhamente". Simplesmente é estranho mesmo.)
Como vocês já me conhecem sabem que evitarei as LAN-Houses e que as notícias e fotos só chegarão a partir de segunda-feira.
Então bom fim de semana a todos :)
