quinta-feira, 2 de julho de 2009

É Teeetra!

Acabou! Segundo ano da X já era.

E está um calor dos diabos aqui. 32°, recorde do ano. Para comparar com São Paulo fiz essa figura, com os gráficos tirados do Wolfram Alpha.



Os últimos dias foram tão quentes quanto dias quentes típicos em janeiro em São Paulo. Mas em geral, o verão de Sampa ainda é mais quente...

domingo, 28 de junho de 2009

Modex météo, ou "lab de meteorologia"

Acabo de terminar um relatório no qual não acredito nem em metade do que está escrito. Mas foi feito em LaTeX, tem 19 páginas, várias fórmulas com integrais e chega à conclusão que o orientador queria.

No mundo da pesquisa, o importante é agradar os superiores. Lembrem-se disso.

sábado, 27 de junho de 2009

Casanova (2)















Ae galera estou de casa nova, prédio renovado, banheiro no quarto... uhuul!
Estive uns dias sem internet, por isso a falta de notícias. Mas também porque tenho as últimas provas... informática na quarta e de física na quinta. E para ambas as matérias, como dizem, "c'est pas gagné"!

Que a sorte esteja com esse pobre politécnico ítalo-germano-belgo-franco-brasileiro, pois não quero passar um pedaço das férias estudando para "o rattrapage".

Ah, quanto ao porta-escovas de molho à bolognesa da segunda foto, não se preocupem, já troquei por um outro pote, sem rótulo. A foto foi só para ilustrar o contraste de um objeto que entrava em uma harmonia tão perfeita com meu quarto antigo quanto é grotesco e surreal no banheiro limpinho, branquinho e novinho de agora...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Énormousse

Terceira estréia da banda DêGrau!

Já nos apresentamos 3 vezes, mas cada vez com uma formação diferente. Esperamos ter uma certa estabilidade agora... Da esquerda para a direita: eu, Julian, Aron (bateria), Jong e Chico, o novo guitarrista. O repertório:

Red Hot Chili Peppers - Easily
Aerosmith - Pink
Dire Straits - Sultans of Swing
Sublime - Santeria
The Offspring - The Kids Aren't Alright

Foi terça-feira na soirée énormousse. Teve espuma mais tarde, quando acabaram as bandas e começou a música eletrônica. Na foto já eram umas 9 e meia da noite!

Má notícia: Não vai mais ter stand da X em Paris esse domingo para a Fête de la Musique. Então já era... :(

sábado, 13 de junho de 2009

Troisième année

Minha escolha para o terceiro ano aqui da X (que é na verdade o meu segundo ano na França) já foi feita: programa de aprofundamento "Energias do século XXI".

Recapitulando o funcionamento geral ao longo dos nabos, digo, anus, digo, anos aqui da X: Tudo começa com o prelúdio que é o tronco comum. Depois de tomar o tronco vem a sequência de curtos e longos, entrecortada pelas orais dos diversos projetos e módulos experimentais do segundo ano. Finalmente, no terceiro ano, é preciso escolher um programa de aprofundamento, para abrir, digo, fechar com nabo, digo, chave de ouro!

Falando sério agora, o que significa "programa de aprofundamento" (PA)?

Para simplificar, é um pacote de matérias. No segundo ano as matérias são bem de base, e não há tantas escolhas (como comentei em um post anterior). Já no terceiro ano as matérias oferecidas pelos 8 departamentos (BIO, CHI, ECO, INF, MAT, MAP, MEC, PHY) são muito numerosas, pois são mais específicas. Para orientar a escolha do aluno, organizaram os 15 PA's (alguns com subopções). Dentro do PA ainda existem escolhas para se fazer entre as matérias.

Também é permitido escolher matérias aleatórias de PA's diferentes, mas nesse caso os professores podem implicar e perguntar o que você quer fazer da vida para ter escolhido ao mesmo tempo "Interações fluido-estrutura", "Grupos Fundamentais na Mecânica Quântica" e "Identidade celular e biologia do sistema imunitário".

O PA que escolhi foi criado no ano passado e teve grande sucesso. Ainda não sei quantos o escolheram nesse ano, mas pelo que pergunto poraí parece que vai bombar. Acho que é uma questão do nome apelativo. Aliás não sei porquê "Energias do século 21". Qualé? Já faz 10 anos que estamos no século 21! Ia estudar as energias do século 18 decerto? Ou 22? É uma escola de engenharia, não de história ou de science-fiction! Mas ok. Vamos às matérias que escolhi:

Trimestre 1:
MEC551 - Ruptura e plasticidade
PHY555 - Energia e meio-ambiente
PHY558 - Reatores nucleares
PHY579 - Física da conversão e estocagem

Trimestre 2:
ECO564 - Economia no mercado de energia
MEC566 - Escoamentos e transferência de calor
PHY569 - Fusão
PHY586 - Tecnologia dos reatores nucleares e ciclo do combustível

Trimestre 3: estágio de pesquisa ainda a encontrar.

terça-feira, 9 de junho de 2009

domingo, 7 de junho de 2009

Still alive

Está quase fazendo um mês que não escrevo nada, o que deve ser um recorde. Não, não tenho uma boa desculpa. Vamos às novidades das últimas três semanas.

Banda. Tivemos a estréia do Julian, novo vocalista, em uma soirée no BôBar. O público conterrâneo foi ao delírio com o repertório mais brasileiro em relação ao nosso primeiro show:

Mamonas Assassinas (chopis centis e mundo animal),
Raimundos (mulher de fases),
Skank (uma partida de futebol) e
Los Piojos (tan solo),

além de Sublime (santeria) e um parabéns a você para o Mattoso que estava de aniversário. Foi o primeiro e talvez último show com essa formação, porque o Bruno (guitarrista) decidiu sair da banda. Mas vamos continuar, algum bixo deve entrar no lugar dele essa semana. Estamos nos preparando para o evento auge de nossas carreiras: no dia 21 de junho, solstício de verão, ocorre em Paris a Fête de la Musique. Bandas tocam pelas ruas de Paris, ao ar livre, não custa nada para assistir... e nós vamos tocar!

PSC. Vamos defender nosso projeto de captação de energia das ondas do mar amanhã, diante de uma banca formada por um professor, nosso tutor, um militar e um engenheiro de uma empresa de fora... e aí acabou, graças a deus.

Ela. passou a semana passada aqui em casa. A coitada teve que me aguentar trabalhando até tarde vários dias, entre projeto de computação e PSC! Mas ela também estava estudando, porque está em período de provas. Em Gent tem o período de aulas normal e o período de "provas", que é um período de por exemplo um mês sem aulas com umas três ou quatro provas aqui e ali, sendo o objetivo deixar a galera sem aulas pra ter tempo de estudar. Eles entenderam e oficializaram o fato de que as pessoas só estudam na véspera e que aprender é uma coisa que se faz em grande parte sozinho. Por outro lado, a reclamação é de que é difícil se manter motivado para estudar o mês inteiro. Pena que ela teve que ir embora sexta-feira, e perdeu o Point Gamma.

Point Gamma. A maior festa estudantil da Fraça é organisada pelos alunos da X e acontece aqui na escola já há muitos anos, é bem tradicional. Bandas legais tocam no palco ao ar livre e DJs que, me disseram, são bons (vai entender?) animam no Grand Hall; tem também bungie jumping, streap-tease, um bar latino com uma salsa rolando (mantido pelo binet Brasi.. quer dizer binet Latino) e o Bruno dando grau denovo (dica aos beberrões: se for vomitar, não coma nachos, fica ainda mais desagradável). Foi essa noite e o Bruno já acordou bem.

O que nos trás ao fim do post, porque ele já está longo e porque o Aron está me convidando para ir ver uma exposição de Jazz em Paris. Au revoir!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Peak Oil

Na última quinta-feira assisti à palestra que fechou a semana do desenvolvimento sustentável da X, com Yves Cochet (deputado do partido verde, ex-ministro do meio ambiente). Também assistira à palestra de abertura segunda-feira com Jean-Marc Jancovici, X, consultor especialista em energia e clima. Ambas foram muito boas, ambas duraram duas horas mesmo se estava prevista uma só e ambas me convenceram quanto à mensagem (a mesma nas duas): Estamos irremediavelmente fudidos, e o motivo é o petróleo.

O petróleo e outras fontes não renováveis de energia (como carvão e gás natural) contam por mais de 90% de toda a energia consumida no planeta. Como essas fontes são não renováveis, por definição elas acabam. Poderíamos nos perguntar quando o petróleo vai acabar, mas essa não é a pergunta certa: Mesmo que ainda haja jazidas elas se torrnam cada vez mais difíceis e custosas de explorar (em dinheiro e energia -- na verdade os dois são sempre quase a mesma coisa no fim das contas). A verdadeira questão é quando a produção vai entrar em queda, e não vai acompanhar a demanda. Nesse momento o consumo mundial de energia per capita vai diminuir, por bem ou por mal. Esse pico de produção (seguido da queda) é o Peak Oil, como o chamou o geólogo Hubbert que já na década de 50 previu o Peak Oil do petróleo doméstico americano para a década de 70 e foi meio que ignorado, mas a crise chegou e mostrou que ele estava certo.

Então quando vai ser o Peak Oil mundial? Bem, surpresa, é agora. Alguns dizem que julho de 2008 pode ter sido o mês recorde de produção de petróleo de todos os tempos. Os mais otimistas dizem antes de 2020, ou seja, na próxima década. De qualquer forma a curva do preço do barril indica que estamos aí. Eu gosto da figura abaixo, que mostra a era do petróleo. Nós estamos bem ali na pontinha onde você está pensando. O petróleo representa a energia barata que permitiu um desenvolvimento espantoso da nossa civilização desde o primeiro poço, em 1859.
Jean-Marc Jancovici estimou que a energia média consumida no dia-a-dia de um francês equivale aproximadamente ao trabalho de 140 escravos a total disposição, 7 dias por semana, desse um francês [vide algum lugar de seu site em inglês]. Pois bem, ~35% desses escravos são hoje petróleo e outros ~60% são gás natural, carbono ou urânio, que têm picos similares previstos para as próximas décadas. Nos Estados Unidos seria o dobro de escravos.

Tem muito o que se ler a respeito na internet. Para citar só um relatório interessante entre vários: Clifford J. Wirth - Peak Oil: Alternatives, Renewables and impacts. Jancovinci recomendou o livro The Party is Over, mas não li.

É isso aí, pensem nisso galera, porque que vai afetar todo mundo vai, eu não tenho dúvidas. E vai ser tão mais forte quanto a classe política negar a história toda e prometer uma (insustentável) retomada do crescimento ao invés de tomar as medidas necessárias, que não necessariamente agradariam a todo mundo. Segurem-se.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ressonância Magnética


Como eu esperava e contrariamente ao que a médica esperava, não foi encontrado qualquer sinal de microfratura. Além disso, não há inflamação visível da fascia. A dor diminuiu um pouco desde que eu comprei e comecei a usar um novo par de palmilhas da Ironman com suporte do arco do pé, há dois dias (além da rotina de alongamentos e exercícios diários e gelo), então acho que estou no caminho certo.

Se eu fosse meu próprio médico eu nunca teria pedido uma ressonância magnética. Eu tinha certeza de que não era microfratura e de qualquer forma o tratamento não mudaria muito (basicamente repouso). É um exame que já estava destinado a não trazer nenhuma informação suplementar importante; na verdade a médica não tinha o que fazer e como eu já tinha feito uma radio ela teve que encomendar um exame diferente, mais pomposo, uma RM.

Mas tudo bem, o plano de saúde paga a maior parte e assim eu ganhei um CD com uma imagem 3D do meu pé que eu posso postar no meu blog. Yey! Além disso, como tudo parece normal, eu fico mais otimista e chego até a acreditar que se eu continuar me cuidando posso talvez andar sem dor em um mês e recomeçar a correr, ainda que moderadamente, antes das férias de Julho. Let's hope.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Ah, o PSC...

História de mais uma falha no "método" de ensino da X

Ontem foi o dia de entrega do relatório do PSC, o Projeto (S)científico Coletivo (o que explica a semana de dedicação zero ao blog). É um projeto que começou lá por agosto ou setembro. A coisa é organizada de forma a "deixar os alunos livres para escolher o que eles vão fazer e como", o que na minha opinião significa que a coisa não é organizada at all. A idéia por trás é confrontar os alunos com o "trabalho em grupo", que é uma idéia válida, principalmente aqui na X. Vou explicar o porque do principalmente aqui na X antes de voltar ao ponto de que apesar da boa intenção esse projeto não passa de mais uma tentativa frustrada de ensinar alguma coisa nessa escola.

Os franceses que entram em uma Grand École (como a X) vieram de dois (ou três) anos que se chamam Classes Preparatórias, ou prépa, onde eles fazem basicamente SÓ matemática e física. Pra quem conhece a Poli-USP, seria o equivalente do biênio, só que com a diferença de que no prépa eles estão estudando para o que seria o "vestibular" (um vestibular em que só cai matemática e física), então eles sabem aquela matéria de cor e fazem as contas em velocidade recorde, isso tudo com o formalismo francês. Ou seja, em matemática e física eles são muito bons (ainda que às vezes falte um pouco de intuição física, dado o método formalista e a decoreba visando concurso, mas não vamos tirar o mérito de que em geral eles realmente são bons). O sentimento normalmente é de que o prépa é um inferno (de tanto que tem que estudar), mas vale a pena se você entrar numa X da vida (por causa do prestígio).

No caso da X, depois do prépa tem um ano de estágio militar (os estrangeiros pulam essa parte) em que o cara faz um trabalho meio de secretário só que no exército, deve ser horrível, mas enfim, o cara se conforma e tem uns que até gostam; em seguida ele vem parar aqui na escola. Nessa altura normalmente o cara nunca trabalhou em grupo, ou se trabalhou foi quando tinha lá seus 14 anos, o que pode até ser uma experiência válida mas não é a mesma coisa.

Trabalhar em grupo é difícil, estimo que metade dos meus leitores deve saber disso. É aquela história do lendário homem-hora... É normal que a escola queira ensinar essa importante lição aos seus alunos, então o que ela faz? Basicamente o diálogo se passa assim:

Escola - "Juntem 5 a 7 pessoas e façam um projeto em grupo. Vocês têm 7 meses."
Alunos - "Mas que projeto?"
Escola - "Qualquer um. Escolham o que quiserem."
Alunos - "E vai ter, tipo, um professor pra ajudar?"
Escola - "Sim. Vocês são obrigados a ter um tutor. Mas vocês que têm que encontrar um professor que queira. Vocês têm um mês para escolher o assunto, encontrar um tutor e entregar uma ficha aqui pra mim com essas informações."

Eu fico espantado ao constatar que a escola simplesmente não vê que não tem como isso dar certo. Será que não é óbvio? Sete pessoas pra quem mal sabe trabalhar em dupla? Escolher um objeto de pesquisa pra quem sempre teve tudo mastigado, que nunca teve que procurar um livro, provavelmente nem mesmo um artigozinho? E esperar que um professor qualquer encontrado às pressas vai ter tempo e vontade de ensinar um bando de undergrads como se faz um trabalho científico e como se organizar para trabalhar em grupo?

Deu no que deu. O meu "grupo" foi um desastre, chegando ao ponto de, a três dias da entrega do relatório final (que evidentemente ainda tinha 80% a ser redigido), um cara manda um email puto com a galera que não fez nada, dizendo que tinham alterado a ordem dos capítulos que ele tinha escrito, quebrando o encadeamento lógico, o que era um absurdo, que o que o outro cara tinha feito não tinha nada a ver com o projeto, e que se quisessem ir cada um por si dali em diante por ele tudo bem, afinal tudo o que os outros fizeram não prestava e só o que ele fizera prestava. Não para poraí: Um terceiro cara, que realisou a façanha de não fazer nada durante o trabalho inteiro, manda um email em resposta para o autor do primeiro, xingando-o animalmente, completamente sem noção, acusando-o de ter passado o trabalho inteiro querendo dar ordens, de ser infantil, de ter feito um trabalho de merda e mais um pouco de xingamentos gratuitos; e-mail este que foi encaminhado ao grupo inteiro pela vítima dos xingamentos, "para garantir la bonne ambiance".

Nesse ponto eu respirei fundo e fiz toda a reflexão exposta acima. Fiquei puto com a escola. Me dei conta de que, do jeito que estava indo, o meu grupo era inexperiente demais para ser capaz de terminar o relatório. Então eu fiz o que eu deveria ter feito desde o começo: tomei as rédeas.

Não quero me gabar, eu não acho que eu seja um grande líder, ainda menos em francês. Mas nesse caso tratava-se de um grupo que não tem nem mesmo a menor noção do que é ser um grupo. Tratava-se de alunos individualistas recém chegados do prépa, que ao longo do trabalho simplesmente faziam umas coisas sozinhos que mandavam pra todo mundo ler, mas nem ao menos liam o que os outros tinham feito e mandado (tanto é que o relatório final foi entregue antes que metade do grupo tivesse lido pelo menos metade do texto).

Então, já que em uma demonstração exemplar de responsabilidade a pessoa que sabia LaTeX (para a formatação final) foi viajar no fim de semana que tinha que terminar tudo, eu peguei o fim de semana extendido (sexta foi feriado, 1° de maio) para aprender LaTeX, mandei emails para acalmar os ânimos (e para instruir a galera a ignorar o email xingativo sem-noção do babaca que não fez nada), e para delegar quem ia escrever o quê, já que mesmo que eu quisesse eu não seria capaz de escrever tudo sozinho, e de qualquer forma eu não queria mesmo. Enquanto isso eu fui fazendo a formatação e tentando colar as peças sem parecer muito um quebra-cabeças, já que cada parte foi escrita necessariamente sem saber do que tratavam as outras.

Ou seja, trabalhei igual um camelo e o que os coitados dos franceses aprenderam? Na melhor das hipóteses, que trabalhar em grupo é difícil, mas nada de soluções, nenhum método. Provavelmente vão continuar evitando o trabalho em grupo no futuro. Também não aprenderam a ler, pois salvo uma ou duas excessões (de tanto eu insistir), o reflexo deles ao ver um problema é tentar resolver sozinho, pegar um papel em branco, fazer umas hipóteses e sair calculando. Compramos um livro sobre o assunto e eu fui o único que leu, mesmo se depois de ter lido eu insisti para que alguém mais lesse, pois o livro é bom. Ah, e o tutor? Vi o cara uma vez. Acho que só de sadismo ele nos mandou ontem, dia de entrega do relatório, um "artigo sobre a energia das ondas", que ele certamente nem leu, pois era um estudo de um tipo de turbina eólica usado em um tipo particular de captador de energia das ondas que simplesmente não tinha nada a ver com o nosso projeto.

Bom, como eu disse, meu grupo foi um desastre, mas pelo que andei conversando com o pessoal de outros grupos agora que terminou, foi mais ou menos assim com todo mundo. Échec da direção de estudos (ou de quem quer que seja que inventou essa história de PSC).

O pior é que ainda não acabou: daqui um mês e meio teremos que apresentar tudo a uma banca de professores, com direito a terno e power-point. Quero só ver.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Budapest

Budapeste foi a cidade em que pudemos ficar menos tempo; deu para aproveitar bem os dois dias mas alguns dias a mais não teriam feito mal.

Vamos lá, de cima para baixo... a ponte da foto, sobre o Danúbio, se chama Széchenyi lánchíd. Entre parênteses, a língua húngara é uma língua completamente a parte, que não parece em nada com nenhuma língua habitual, e é aparentada apenas (e meio de longe ainda por cima) do finlandês, outra língua pra lá de estranha.



Mas voltando, a Ponte Széchenyi data de 1849, e se hoje ela é bonita imagine o que era na época! Ela liga as duas "ex-cidades", Buda e Pest, que hoje formam uma única cidade, capital do país. Todas as pontes de Budapeste foram destruídas durante a 2a guerra e a reconstrução da Széchenyi terminou no ano do centenário, em 1949.

A sopa se chama gulyás, é o prato típico e é delicioso! Mas não deixe a Hungria sem provar uma Sztapacska, que também é supimpa ;)


Usamos bicicletas amarelas alugadas que para subir no Budai Vár (Castelo de Buda - nada a ver com o budismo, só para deixar claro), visto de Pest no entardecer na foto da direita.


Em seguida, a Országház (Casa do Parlamento) vista do Danúbio e a imperdível Széchenyi Fürdö, a maior casa de banhos da Europa, com piscinas alimentadas por fontes termais além de saunas e diversas outras mini-piscinas a várias temperaturas dentro do prédio. A entrada por 3 horas custa 2800 Forints, ou seja... menos de 10 euros!

Para terminar, a House of Terror. É o museu do comunismo e definitivamente passagem obrigatória de todo visitante.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Strip Crônicas #46

Minha primeira tirinha desenhada à mão e devidamente escaneada (usando um scanner e não uma máquina fotográfica, agradecimentos ao Sabetta dono do scanner). O "pós-processamento" necessário foi mínimo (contraste, brilho, compressão), então talvez seja uma alternativa viável e talvez mais tirinhas desenhadas à mão apareçam no futuro =)

Para quem não pegou a piada, "Czech" é tcheco (ou tcheca) em inglês, e se pronuncia como "check".

terça-feira, 21 de abril de 2009

Wien

O ensinamento de hoje, meus caros, é que Viena é muito foda. Mais uma vez, 3 dias foram insuficientes. Tudo bem que em parte o meu pé estava meio ruim e não podíamos andar muito rápido, tudo bem que o tempo estava tão bonito que se fosse sempre assim qualquer um ia querer passar um mês lá. E tudo bem que eu estava com ela, o que torna tudo ainda mais agradável... mas convenhamos, não é de toda cidade que se pode falar assim.






Eu acho que o turista padrão em Viena teria fotos diferentes para mostrar. O único museu em que fomos foi o Haus der Musik (casa da música), e ficamos devendo visita a muitos outros que gostaríamos de ter ido, como o Albertina, o museu de história natural, o museu de antropologia e o museu de história da arte. Mas ao todo a cidade tem mais de 100 museus! Também não entramos nos palácios imperiais de Schönbrunn e Hofburg.




Mas se deixamos de ver muitas coisas, o que vimos não desapontou em nada; algumas atrações: Wurstelprater (parque de diversões), Hundertwasserhaus (edifício residencial do arquiteto Friedensreich Hundertwasser com um estilo bem particular), uma criação de borboletas, o jardim de Schönbrunn e o zoológico mais antigo e um dos mais modernos do mundo, com ursos polares, pinguins, coalas e até pandas!

Pra finalizar, o hostel era muito bom (Wombat's), com um café ótimo :)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Praha

Bem vindos de volta, caros leitores!


Para não me cansar, fiz uma seleção de fotos do primeiro destino da viagem de páscoa. Trata-se de Praga, ou Praha em tcheco. A cidade é muito bonita e mesmo com 3 dias deixamos certamente de visitar coisas que valiam a pena. O rio que cruza a cidade se chama Vltava.

Viena e Budapest virão na sequência. Até lá!

Cidade velha Vista da Torre de Pólvora.






Feirinha na praça, com a banquinha que vende o delicioso Staročeské Trdlo. Parece que a tradução é "bolo doce".







Entrada do ótimo Museu do Comunismo.







quinta-feira, 9 de abril de 2009

Última prova antes do Leste Europeu

Hoje tive prova de arquitetura. Nos deram 4 horas para comentar um texto de tipo umas 15 linhas! 4 horas! Acho meio excessivo para uma redação. O pior é que eu não escrevi muito, um pouco pela dificuldade de desenvolver mais o tema e um pouco por causa da língua, afinal teria sido bem mais fácil se eu pudesse escrever em português. (quoi que...)

Amanhã às seis da tarde eu entro em férias por uma semana. Vou explorar o Leste Europeu com a namo. Se bem que quando eu comentei com uma Búlgara que eu ia para Praga, Viena e Budapest ela me disse que pra ela isso não é "Europa do Leste", pois não é suficientemente no leste. Questão de ponto de vista...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Na mãe Rússia...

Encontrei este artigo interessante sobre fasciite plantar (a dor no pé que eu tenho). Em uma certa altura ao tratar de palmilhas ortopédicas o cara fala o seguinte:

Debate has raged for decades as to whether or not orthotics are necessary or simply a crutch (Keating 1992). The Russians have no translation for foot orthotics and subsequently do not use orthotics. When asked about the severity of their athlete's foot problems I was told, "We have no foot problems. We strengthen the foot."
[ Há um debate de décadas sobre orteses (no caso, palmilhas ortopédicas) serem necessárias ou apenas auxiliares. Os Russos não têm tradução para palmilha ortopédica e consequentemente não usam. Quando perguntados sobre a gravidade dos problemas de pé em seus atletas, me disseram, "Nós não temos problemas de pé. Nós fortalecemos o pé." ]

Note a grafia "The Russians", com R maiúsculo, haha! Me lembrou daquela lenda de que na Rússia eles não têm teclado: os computadores são operados com geradores de tensão e corrente...

Me lembrou também daquela história de que a NASA teria investido 11 milhões de dólares para desenvolver uma caneta que funcionasse a zero-G, no espaço, enquanto os russos investiram alguns copeques na livraria da esquina e usaram lápis. Bom, é falso, ao menos para aqueles que confiam na Wikipedia (como eu...). Este artigo desmente a lenda.

Foto: englishrussia.com. A estátua de Lenin no fundo, com um buraco aberto
no "lado de trás" foi uma pegadinha de primeiro de abril em São Petersburgo.

domingo, 5 de abril de 2009

PS

As contas preliminares do post anterior se mostraram equivocadas de um fator dez mil. "Apenas" quarenta minutos devem ser suficientes para manter acesa uma lâmpada por 5 segundos.

Em um assunto não relacionado, descobri um site cuja especialidade é fornecer fundos de tela cinzas de qualidade. É o Amazing Grays. Eles têm também uma seção com variantes do jogo de xadrez: o Zombie Chess e o Team Fortress 2 Chess...

E é melhor eu voltar a estudar agora!

PSC news

Minhas contas preliminares acabam de me levar a concluir que o dispositivo de captação de energia das ondas do mar que construimos realiza a proeza de fornecer uma potência inferior a 7 microwatts, em condições de mar favorável.

Para os leigos, isso significa que a máquina teria que trabalhar por dez meses ininterruptos, em um mar utópico, para gerar energia suficiente para manter uma lâmpada acesa por cinco segundos. A idéia é que ela vai enchendo um reservatório de água, e portanto se escolhermos um copo como reservatório teremos que esperar 8 horas para a máquina enchê-lo. Criamos a pior bomba d'água de que jamais se teve notícia!

Bom, mas não duvido que ainda teremos uma avaliação boa pelo projeto. Tudo é possível depois que meu grupo de projetos do segundo ano da elétrica ganhou um certificado por ter ficado "entre os 10 melhores" por um relógio digital que mostrava as horas em código braille usando LEDs que piscavam. As pessoas que viam as luzinhas piscando não podiam ver as horas porque não sabiam braille, e os cegos que sabiam braille tinham uma certa dificuldade para ver os LEDs. Mas era uma caixinha bonitinha com luzes coloridas piscando e agradou os avaliadores...

Ah, eu me divirto!

Em cima: O revolucionário captador de energia das ondas (a bóia não aparece na foto).
À direita: Lucas, Levi, Márcio e eu com o relógio braille, décimo prêmio de PSI2222 em 2006.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Armagedom

Pensamentos sombrios a respeito da X

Hoje eu descobri que a minha professora de italiano ganha 650 euros por mês para dar aula pra nós. O contrato dela acaba e no fim do ano ela (óbvio) está partindo pra outra.

Ela aproveitou a revelação para falar do departamento de línguas da X. De como eles não têm dinheiro e querem cortar gastos. Uma das idéias que estão tramitando seria de cortar as línguas na troisième année, ou seja, durante seu percurso na X você tem curso de línguas durante um ano, e acabou. Outra idéia é diminuir de 80 para 60 horas (por semestre) a carga dos cursos "fáceis" como italiano e espanhol.

Isso me fez pensar no quanto essa escola é demagoga. É uma coisa de que se desconfia logo no primeiro mês que se chega aqui, mas você acaba não dando muita bola. É a melhor escola da França, a fama é tão grande que você fica com aquela certeza de que o lugar é ótimo mesmo assim. Pouco a pouco a situação vai degradando enquanto você vai se acostumando com a precariedade.

Você chega aqui e reúnem todo mundo para o diretor (um general do exército) insistir no quanto a formação multidisciplinar é importante na X. "Vocês farão esporte! Vocês aprenderão línguas! Vocês terão uma formação humana, e propomos cursos de arte, de psicologia, de arquitetura, para a formação de vocês!"

O esporte é TÃO importante que se por qualquer motivo eles precisam de uma janela pra alguma coisa, pronto, não tem esporte. Foda-se o esporte, vai ter uma palestra sobre pesca artesanal, presença obrigatória. De uniforme, hup, hup! coloquem seus chapéis pontudos e espadinhas e venham ouvir o pescador falar!

Quando eu descobri que os franceses aqui tinham que fazer inglês, língua obrigatória a não ser que você já tenha um nível muito bom, eu achei bem interessante. Não esperava, e fiquei com a impressão de que aquela história de protetorismo idiota da língua francesa era um assunto superado, ao menos nas grandes instituições de ensino superior, e achei muito positivo.

Foi hoje que eu me dei conta de que só pode ter um motivo para os caras dizerem que vão ensinar inglês aos seus alunos franceses em míseras quatro horas por semana durante um ano. Por isso que francês fala inglês daquele jeito (é uma piada... mas enfim os caras falam mal). Como eu dizia, só pode ter um motivo...

É a imagem.

O projeto da X é melhorar sua imagem. É o objetivo. Não é um segredo, eles mesmo falam isso. Trazer alunos internacionais é únicamente um aspecto dessa política, como eles mesmos dizem quando vão lá na Poli USP falar do programa. E é assim que certos objetivos correm o risco de serem deixados de lado. O importante não é ter um ensino de línguas de qualidade... o importante é TER.

É como a lendária formação humana e militar (comentei sobre o respectivo departamento, DFHM, em um post recente). Teoricamente somos enquadrados em uma hierarquia militar. O coronel que comanda os alunos do meu ano adora enviar emails pra todo mundo, sempre com erros de francês que fazem até os estrangeiros estremecerem, em que de vez em quando ele gosta de nos relembrar que nós estamos em um enquadramento militar para nos ensinar a ter um "bom comportamento". Que na X não se dá apenas instrução mas também "educação". Que o estágio militar é pra isso. Que a X tem uma formação "completa". CARALHO, quem entra aqui tem pelo menos 18 anos, precisa de um MILITAR pra nos ensinar a ter EDUCAÇÃO!? Hã!?

Quem trata como criança está criando crianças. Aqui tudo é obrigatório (claro, pois é militar.. hmm), então a galera não vai no esporte porque gosta. Vai porque é obrigatório. Não vai no curso de psicologia porque gosta. Mas é obrigatório. Não faz italiano por que gosta... adivinha. Claro, tem exceções, tem gente que aproveita, mas é óbvio que aproveita menos, pois tem colegas menos motivados. E assim eles ainda perdem a chance de fazer alguém se interessar por esporte, por psicologia, por italiano.

A única coisa que nem precisaria ser obrigatório pra todo mundo ir são os cursos científicos (com ressalvas, mas não vou me prolongar muito), é óbvio, pois essa foi a escolha de quem está aqui. Fora isso se o cara quer fazer inglês ou jogar futebol por que não deixar escolher? E fazer uma coisa de qualidade para alunos interessados?

A X é a melhor escola da França, e o nível do ensino científico é realmente muito bom, mas enquanto essa política da imagem não vier acompanhada de uma política da qualidade, com uma proposta autêntica e o fim dessa cara-de-pau típica de militares cabeça-oca a escola não vai passar disso. A melhor da França, ponto.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A mecânica quântica deu lugar à física estatística, onde o cara me fala de temperaturas abaixo de zero Kelvin. Sei...

O gráfico no quadro mostra a energia em função da temperatura para um sistema com grande número de partículas de spin 1/2 independentes em uma região com campo magnético uniforme, inclusive para T<0.

Contudo parece que temperaturas negativas não seriam definidas para o caso geral, em que não há um valor máximo admissível de energia. Nesse caso, ouvi dizer, uma integral acaba divergindo em algum lugar e o universo é salvo.